Pet a bordo: tutores exigem transporte aéreo seguro

Desaparecimentos de cães despachados com a bagagem voltam a ser registrados

Mesmo depois da morte do golden retriever Zyon, em setembro,  e do american bully Wiser, em outubro de 2021, os casos de descuido no transporte aéreo de animais voltaram a se repetir. Desta vez, a história teve final feliz para todos os envolvidos.

Zoe chegou sã e salva a Fortaleza depois de ser enviada, por descuido, ao Rio de Janeiro (Foto: Reprodução | Redes Sociais)

Mas os novos episódios reforçam a cobrança de tutores e médicos veterinários por melhores condições na prestação deste serviço.

“Existem Legislações Nacionais em vigor que concordam que animais não são coisas, muito menos objetos, produtos ou mercadorias para serem tratados com descaso e desrespeito”, destaca Juliana Stephani, autora de um dos abaixo-assinados criado para pressionar Companhias Aéreas.

As duas petições online criadas por ativistas da causa animal exige o “direito ao transporte de animais de estimação (cães e gatos) na cabine de aeronaves” e já reúnem, juntas, mais de 55.000assinaturas (acesse aqui e aqui).

Zoe vai para o Rio

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Zyon morreu após um voo de São Paulo para o Rio de Janeiro em setembro de 2021 (foto: Redes Sociais/Reprodução)

O evento mais recente envolveu a filhote de border collie Zoe, de 4 meses. Ela deveria ter embarcado em um vôo de São Paulo para Fortaleza, dia 02, mas acabou indo parar, por erro da companhia aérea, no Rio de Janeiro. 

“Entrei em desespero e comecei a chorar. A primeira coisa que veio na minha mente foi furto. Pensei: ‘pronto, violaram a caixa [de transporte] e tiraram ela’”, relatou a tutora Priscila Carneiro ao Diário do Nordeste.

Segundo ela, a equipe da empresa aérea prestou assistência desde o início e a cadelinha pôde chegar ao destino final sã e salva. 

Final feliz para Pandora

O segundo caso registrado em 2021 só teve final feliz no começo deste ano. Em janeiro, a cachorrinha Pandora, desaparecida em dezembro no Aeroporto Internacional de Guarulhos,  foi encontrada depois de 45 dias e entregue ao dono.

De volta ao lar, Pandora ficou desaparecida por 45 dias depois de embarcar

Mas o que fazer para isso mudar?

A principal reivindicação da petição online é para que as companhias aéreas passem a permitir viagem dos Pets acompanhados pelos tutores “de forma segura e digna, dentro da cabine do avião”.

As pessoas que assinam o documento pedem, ainda, que essas mudanças se estendam a todas as companhias aéreas, para destinos nacionais e internacionais.

“A impossibilidade do embarque de tutores com seus animais na cabine, por ultrapassarem o peso e tamanho, regra criada pelas próprias cias aéreas, é violar um direito constitucional de uma pessoa ir e vir de acordo com o Art. 5, inciso XV, da Constituição Federal de 1988”, afirma a petição online.

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Impedidos de viajar na cabine por conta do peso, braquicefálicos (focinho curto) também não podem viajar no compartimento de carga

Atualmente, animais de até 10kg podem viajar na cabine, dentro da bolsa de transporte. Os demais são transportados no compartimento de carga, onde ocorre a maioria dos casos de desparecimento ou morte.

Para os médicos veterinários, o avião é considerado seguro, mas o estresse da viagem pode oferecer riscos como aumento da frequência cardíaca por conta da ansiedade. 

Como ter uma viagem mais segura com meu pet? 

  • Planeje a viagem com antecedência;

  • Adquira uma caixinha na qual o animal será transportado (metal, madeira ou plástico) e permita que o bicho crie costume dentro dela;

  • Animais idosos ou muito jovens, com problemas de saúde ou dificuldade de locomoção não podem viajar em porão, pois a adaptação deles é mais complicada;

  • O porão é considerado seguro e possui uma temperatura entre 10° e 23° C controlada pelo piloto do avião e é pressurizado, ou seja, tem a circulação de ar.

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