Toxoplasmose: a culpa não é do gato!

A toxoplasmose é uma zoonose de grande importância para saúde pública, ou seja, uma doença passível de ser transmissível de animais para seres humanos. Causada pelo Toxoplasma Gondii, parasita protozoário intracelular obrigatório, que tem como hospedeiro intermediário répteis, aves, peixes, mamíferos e seres humanos. O ser humano pode se infectar a partir da ingestão de oócitos contidos nas fezes de gatos infectados, os quais são hospedeiros definitivos. Outra forma de infecção se dá a partir da ingestão de água e alimentos contaminados, como carne crua ou mal cozida, leite, hortaliças, frutas e legumes.

Os sinais clínicos mais frequentes são: depressão, anorexia, perda de peso, febre, mialgia, fraqueza muscular, vômito, diarreia, alterações oftálmicas e desordens neurológicas. Sendo estes sinais, determinados pelo local e extensão dos danos de órgãos envolvidos e podem ocorrer tanto na fase aguda ou início da infecção, quanto na crônica quando há reativação dos parasitos encistados. Essa reativação pode ocorrer devido à imunossupressão do animal, ou seja, animais com eficiência do sistema imunológico reduzido.

Em relação à infecção de gatos, deve-se evitar de alimentá-los com produtos cárneos crus ou mal passados, associado ao controle do hospedeiro intermediário do T. gondii, como moscas e baratas.

Para prevenção da doença em seres humanos, estes devem evitar o contato com o solo e areia que possam estar contaminados por fezes do gato. Deve ser feita a limpeza da caixa de areia do animal, com luvas, diariamente, e sempre que a areia for trocada, a caixa deve ser imersa na água fervente. Além disso, o consumo de carnes bem cozidas e de procedência conhecida, higienização de frutas e legumes antes do consumo, bem como lavar as mãos regularmente após a manipulação de alimentos e antes das refeições, se apresentam como formas profiláticas eficazes.

O grande risco desta doença são as gestantes que nunca tiveram contato prévio com o parasita, pois, a toxoplasmose é de caráter congênito podendo ser transmitido para o feto, gerando complicações para o mesmo e até mesmo acarretar em um aborto. No entanto, as mulheres que já apresentam IgG positivo para a infecção, não correm o risco de transmiti-la para seus fetos, sendo a exceção nesses casos, a imunossupressão da mãe, onde com o sistema imunológico fraco, o Toxoplasma pode voltar a ficar ativo e infectar o feto. 

Então, embora um mito circunde esse assunto colocando a culpa no gato, a menos que seja feita a ingestão das fezes dessa espécie, não é possível se contaminar diretamente por esse animal.

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